Sonho do Ouro adiado: Brasil perde para o Canadá nas disputas de pênalti.

Brasil e Canadá nas quartas de final do torneio de futebol feminino na Olimpíada de Tóquio 2020.

A seleção brasileira feminina de futebol deu adeus ao sonho da inédita medalha de ouro. Em um jogo muito estudado, equilibrado e com erros similares, o final foi decidido nos pênaltis. As brasileiras iniciaram a partida pressionando, mas, mesmo com o começo melhor, o Canadá se recuperou e controlou a partida.

Nas Olimpíadas de 2016, o Brasil disputou a medalha de bronze contra as mesmas rivais e perderam. Como citado no último texto, o Canadá era um adversário contra o qual o time de Pia nunca havia perdido em todos os quatro jogos disputados antes das competições olímpicas. No entanto, em contexto de mata-mata, histórico não entra em campo.

Esse ciclo do futebol feminino brasileiro termina com uma velha conhecida, mas com uma visão de futuro diferente. O 0 a 0 em campo se justificou devido aos inúmeros erros, oportunidades desperdiçadas e um pouco da teimosia da treinadora.

A zagueira improvisada na lateral, Bruna Benites, não funcionou no jogo de hoje, tampouco nos jogos anteriores. Era uma escolha de Pia desde o início. A goleira Bárbara não comprometeu a partida contra o Canadá, inclusive, defendeu o chute de Sinclair no início das penalidades. Apesar disso, a renovação do gol é um apelo feito há muito tempo.

A treinadora demorou para fazer as substituições. Duda estava cansada e a troca por Andressa Alves só aconteceu nos últimos minutos. O meio de campo desconexo e sem criatividade pedia mudanças, a insistência em ligação direta não resultou em absolutamente nada, já que a zaga canadense tinha muita qualidade e altura.

Nos pênaltis, Andressa e Rafaelle falharam diante da goleira canadense Labbé nas duas últimas cobranças do Brasil. A eliminação nos Jogos de Tóquio pode marcar a despedida das Olimpíadas da geração de Formiga e Marta, ambas medalhistas de prata em Atenas-2004 e Pequim-2008.

Após o fim do jogo, Marta cedeu uma entrevista e falou:

Agora é pensar no futuro. Continuar apoiando as meninas, apoiando a modalidade porque o futebol feminino não acaba aqui. O futebol feminino continua. Espero que as pessoas tenham essa consciência e que não saiam apontando o dedo para ninguém porque aqui não tem ninguém culpado ou deixou de fazer. Fizemos o que estava ao nosso alcance. O que faltou foi a bola entrar e eu estou muito orgulhosa da equipe, orgulhosa de tudo o que a gente viveu. Obviamente fica aquele gostinho de que poderia mais.

Independentemente das falas de Marta, sabemos do desejo e da vontade que todas as atletas tinham de trazer o pódio para o Brasil. Ninguém que acompanha o futebol feminino está com o sentimento de “dó”, na verdade, é de que ficou no quase e de que nós conseguiríamos.

O discurso de que o ciclo terminou de forma diferente das outras eliminações é real. O trabalho segue e não existem só críticas, há muito o que comemorar sobre a evolução da seleção feminina. Providências estão sendo tomadas em relação ao futebol nacional e a seriedade no tocante às decisões e comandos dentro da CBF. Os frutos dessa caminhada vão ser colhidos e o futuro da nova geração de mulheres jogando futebol no Brasil tende a ser cada vez melhor. Por isso, é tão importante o apoio de todos nessa jornada.

Quanto as Olimpíadas, o futebol feminino ainda não acabou. As canadenses vão encarar os Estados Unidos, que venceu o confronto contra a Holanda. O próximo duelo das semifinais será na próxima segunda-feira (02/08), às 05:00 horas, em Kashima. A outra semifinal será entre a Suécia e Austrália.

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