No dia nacional do futebol, um apelo a favor do futebol feminino

Marta com a camisa da seleção brasileira

Os domingos e quartas-feiras são dias sagrados para os brasileiros amantes de futebol. É o esporte de maior expressão nacional, impregnado na cultura e nos costumes de quem vive no país. Hoje, dia 19 de julho, é comemorado o dia nacional do futebol e, entusiastas do esporte como somos, precisamos conversar sobre a igualdade nesse meio. 

Na semana passada, a seleção brasileira fez a divulgação das fotos oficiais de todas as atletas antes da ida às Olimpíadas. Entre tantas fotos promocionais, a de Marta chamou a atenção:

Marta com a camisa da seleção brasileira
Marta com a camisa da seleção brasileira

 

Como é sabido, no lado direito da camisa do Brasil é reservado o espaço da patrocinadora esportiva do time. Na foto da Marta, ela aparece de cabelo solto, cobrindo propositalmente o espaço onde fica o símbolo da marca. Por que isso chama atenção? Porque, desde 2018, a atleta brasileira está sem nenhum contrato com patrocinadoras esportivas. A Copa do Mundo de 2019 ficou marcada pela luta por igualdade, na qual a jogadora entrou em campo com uma chuteira preta, sem nenhum patrocínio, apenas com o símbolo da campanha “Go Equal”. 

A maior artilheira da história das Copas do Mundo (entre homens e mulheres), Marta foi eleita seis vezes a melhor do mundo, e mesmo assim tem recusado todas as propostas de marcas esportivas por considerar os valores desproporcionais diante a tudo que já conquistou.

“Eu continuo sem patrocínio. Antes mesmo da gente iniciar essa campanha (na Copa) a gente recebeu propostas, até de renovação, mas acho que a valorização tem que partir da gente. Eu me sinto no direito de me valorizar, por tudo que a gente foi conquistando ao longo do tempo, seja dentro de campo ou fora dele também. Eu queria dar esse exemplo para outras atletas e até outras atividades fora do esporte, para que a gente possa buscar por igualdade. Juntas”, afirmou Marta em entrevista ao Esporte Espetacular em setembro de 2020.

Ela já confirmou que em Tóquio a luta será igual, com as mesmas chuteiras e o mesmo propósito. O foco da discussão não está sobre ganhar um salário comparado ao de Neymar ou de Messi, mas sim, o equivalente ao que Marta merece. 

Apesar dos mercados das duas categorias serem diferentes, da proibição que o futebol feminino sofreu e de toda desigualdade de infraestrutura, o esporte tem evoluído. Gestos como o de Marta reforçam a importância da valorização da modalidade e que precisa cada vez mais de apoio. Barreiras vêm sendo superadas, o interesse do público existe e a audiência é cada vez maior.

É por mulheres como a nossa vitoriosa jogadora, e muitas outras que carregam nossa bandeira no peito, que o futebol feminino merece nosso apoio – não só durante os grandes eventos.

Viva a paixão nacional. Viva o jogo que amamos e que nos une. O futebol é de todos!

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