Dios, Magia Subversiva

Por Guilherme Azevedo

30 de outubro de 1960. Nesse dia, em Villa Fiorito, Deus presenteava a Argentina. nascia Diego Armando Maradona Franco, figura emblemática do país sul-americano e indiscutivelmente um dos maiores da história do futebol. Filho de operário, o pequeno Diego teve uma infância humilde, mas rica de futebol, assim, estreando precocemente, aos 15 anos, pelo Argentinos Juniors.

Diego Armando Maradona – El Dios

 

Um texto sobre Maradona que descreva apenas seus fatos e números dentro de campo não mostram de fato o seu tamanho e representatividade. Pra falar sobre, tem que ter gana, emoção e magia. “El pibe de oro” tem ares divinos com toda sua acidez paradoxal e marcante.

Em 1979, Dieguito foi campeão mundial sub-20 vestindo a camiseta nacional e em 1986 coloriu o mundo de azul e branco, de forma genial, magistral e histórica.
Maradona foi chamado de Deus.

Em um ponto comparativo, o eterno 10, carrega desde então a alcunha de “Dios” e Pelé -ídolo brasileiro- é chamado de Rei. Porém, em uma realidade sociopolítica, Maradona abandonaria sua “divindade” e assumiria a posição de opositor ao rei, fazendo jus ao seu histórico de luta contra
a desigualdade social que o argentino já marcou em sua pele.

“El diez” é político, nota “diez” ideologicamente e nunca deixou essa militância fora das quatro linhas, ou sua atuação antológica contra a Inglaterra de Tatcher não acalentou o coração de milhões de argentinos de forma nacionalista e na luta pela justiça? Diego, em campo, driblou toda a nação inglesa. Teve ajuda divina e melhor, incorporou em suas mãos. Dieguito tem “La mano de dios”.

Assim, tão comumente chamado de Deus, Maradona de fato virou. Não, não se trata de metáforas. Desde 1998 a ideia da Igreja Maradoniana atrai cerca de 60 mil fiéis e glorifica o argentino por toda sua representatividade. Os seguidores o reverenciam por fazer o povo argentino voltar a sorrir após uma ditadura sanguinária, Guerra das Malvinas, crises econômicas e políticas. Diego Armando está marcado na mente de todo argentino que o viu ou ouviu: representa felicidade, luta e orgulho. No entanto, é inegável que a história “rioplatense” tem em suas linhas a figura do gigante de 1,65 de altura.

Maradona é “La mano de dios”, é “huevo y gana” e anti-imperialista. Carrega em sua camiseta o alento e o histórico “xeneize” e não o “millonario”, carrega a luta catalã -com direito a título da Copa do Rei em cima do time real- e na Itália, pelo sul pobre, incomodou o rico e tradicional norte. Diego Armando Maradona age divinamente, carregou luta e amor nas suas chuteiras, jogou com os punhos cerrados e até hoje os mantém intacto.

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