Chorar no começo para sorrir no fim

Jogo Preparatório Seleção Feminina Principal

Chorar no começo para sorrir no fim

Faltando seis dias para a estreia da seleção feminina nos Jogos Olímpicos de Tóquio, as atletas viajam hoje, quinta-feira(15), para o Japão. Foram dois jogos de preparação e a equipe vem de uma vitória contra a Rússia por 3 a 0 no primeiro jogo, e um empate em 0 a 0 com o Canadá na segunda partida.

Quando falamos do preparatório do Brasil para a Olimpíada, precisamos fazer o retrospecto entre o time que foi eliminado para a França na Copa do Mundo de 2019 e a equipe que hoje passa por uma reformulação comandada pela técnica Pia Sundhage. 

Em um primeiro momento, contávamos com a presença do técnico Vadão, que chegou para a competição com nove derrotas consecutivas e teve a má fase amenizada graças a talentos individuais. Mas tudo sucumbiu quando enfrentou equipes mais organizadas. Naquele ano, ainda tivemos o “chamado” de Marta para as próximas gerações em uma entrevista emocionante no final da partida.

Já no segundo cenário, acontece a entrada da sueca que fez as expectativas e a esperança sobre o futebol feminino retornar ao coração dos torcedores. A técnica bicampeã olímpica estreou no comando da seleção em agosto de 2019 e, desde então, somou 11 vitórias, 5 empates e 2 derrotas em 18 jogos, com saldo de 49 gols marcados e 8 gols sofridos.

O despertar

O desabafo de Marta no pós Copa é o pontapé inicial para analisar o início dos jogos olímpicos. Na convocação feita no dia 18 Junho de 2021, o trio Cristiane, Formiga e Marta foi desfeito. E no entanto, a maior artilheira da história em Olimpíadas (considerando homens e mulheres) com 14 gols, Cristiane, não foi convocada. Ela fará falta? Na minha opinião, sim. Mas isso fica de assunto para um próximo texto.

Apesar das discordâncias em relação às 22 jogadoras convocadas por Pia, a lista, no final das contas, é boa. Por que no final das contas? A seleção tem uma equipe segura na defesa, não comete tantos erros como antes e ganham a maioria das bolas dentro do setor. Porém, a parte ofensiva ainda não encaixou como esperado. O meio campo da seleção perdeu muito com a lesão da Luana Bertolucci. Mas o Brasil tem nomes como Marta, Debinha, Ludmila e Andressinha que podem fazer a diferença. Além disso, a bola parada é uma das maiores armas do time e a zagueira Bruna Benites é peça chave na subida de bola.  

Por fim, o sonho do ouro olímpico é difícil mas, não impossível. “Qualquer cor seria ótimo” – brincou Pia quando foi perguntada sobre uma medalha nos jogos. A treinadora comenta que ainda vê o Brasil como uma “zebra” em Tóquio, pelo fato de que “há uma espera longa. A última vez que o Brasil ganhou algo foi em 2008. Foi há bastante tempo”.

E hoje, quando falamos do futebol feminino brasileiro, falamos de um momento muito especial. Existe a presença de mulheres na coordenação em números expressivos e que têm um bom caminho sendo trilhado. Ao mesmo tempo, as atletas se desenvolvem rapidamente com maior profissionalismo e intensidade em suas atividades. Como disse Duda Luizelli, coordenadora das Seleções Brasileiras Femininas, a Pia divide a medalha em quatro partes: a parte física e tática – ambas em evolução -, a parte técnica – que sempre tivemos – e, principalmente, a parte mental – onde estamos trabalhando cada vez mais.

Serão dezoito dias com seis jogos intensos. Há muito talento por ser aproveitado com a bola nos pés das brasileiras. Por isso, a hipótese de que essa seleção seja uma das melhores que já tivemos, é real. Seria, no mínimo, surpreendente caso não haja um lugar no pódio para as meninas. Não queremos um time pressionado dentro de campo em busca de resultado, mas um time que alcança seus objetivos a partir de um trabalho com resultado. A mudança já está acontecendo e o que se viu em 2019 é apenas o começo de um processo grandioso para essas meninas que tanto merecem.

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