Athletic se perde nas decisões e demite Cícero Júnior

Foto: Fernanda Trindade / Athletic Club
(📸| Foto: Fernanda Trindade / Athletic Club)

Um time centenário que estava há mais de quatro décadas longe de competições profissionais consegue uma ascensão meteórica e em 3 anos sai do amador e chega à elite do futebol profissional – tudo isso com um treinador nascido na cidade natal da equipe e com muita identificação com a mesma. Estreia com vitória, em seguida anúncio de uma estrela mundial – Loco Abreu. A receita estava ótima e tinha tudo para dar certo no Athletic Club: porém o amadorismo parece ter deixado resquícios.

Em tempos de pandemia, aprendemos que nem tudo que aparenta, de fato é. A instabilidade global gerada pelo Covid-19 afetou e muito o futebol: inúmeros jogadores, treinadores e profissionais que vivem do esporte bretão são testados diariamente e mesmo que estejam sem sintomas acabam por testar positivo para a doença, sendo obrigatório seu afastamento dos campos por um determinado período de tempo.

Foi assim no Esquadrão de Aço. Diversos casos de Covid-19 atingiram a equipe nas últimas semanas, mas o clube tem se recusado a divulgar quais são os atletas que foram acometidos pela doença, alegando “questões éticas” as quais particularmente não entendemos, haja visto que clubes do mundo inteiro tem sido transparentes com tais informações.

Um fato que pode ter passado despercebido com a falta de transparência da equipe, é que o preparador de goleiros da equipe nas cinco primeiras partidas William Souza se tornou goleiro reserva da equipe. (Informações disponiveís publicamente nas súmulas que se encontram no site da Federação Mineira de Futebol – FMF).

Imagem 1: Fonte: Federação Mineira de Futebol – FMF

Imagem 2: Willian como goleiro reserva da equipe.

Fonte: Federação Mineira de Futebol – FMF

Com as três derrotas nas últimas partidas (todas por um apenas um gol de diferença e com a equipe do Athletic jogando bem) a diretoria da equipe São-Joanense optou pela decisão mais comum do futebol brasileiro: a cultura imediadista de culpar o treinador e demití-lo.

Fonte: Athletic Club – Twitter Oficial

Cícero Júnior, natural de São João del-Rei e prata da casa, executou um ótimo trabalho no clube alvinegro conquistando dois acessos em três anos. Com a camisa alvinegra, Cícero teve 53,6% de aproveitamento no comando do time: em 46 partidas foram 21 vitórias, 11 empates e 14 derrotas.

Como comandante, Cícero sempre esteve aliado à seus atletas, mantendo um perfil discreto como filosofia, vinha de um trabalho longevo que não comprometeu o clube.  Sua demissão mais parece ser uma análise imediatista dos últimos jogos, mostrando uma diretoria apressada e sem planejamentos para crises.

Poucas horas após a demissão de Cícero, o clube anunciou outro velho conhecido para o comando: Gustavo Brancão, que havia sido anunciado recentemente pelo Tupynambás para a disputa do Módulo II do estadual mineiro, voltou ao clube com a missão de pontuar nesses 3 jogos e tentar fugir do rebaixamento.

Fonte: Athletic Club – Twitter Oficial

Brancão é um bom nome, fez um trabalho bom no esquadrão e foi surpreendido com o início da pandemia no último ano. O treinador assume sem muita pressão: seu contrato é curto e a missão é árdua: irá enfrentar Uberlândia e Caldense fora de casa e receber na última rodada o líder do campeonato, Atlético Mineiro. Se pontuar e livrar o time de um possível rebaixamento (que não é certo mesmo que a equipe perca os 3 últimos jogos), Brancão cumpriu sua missão com êxito.

Caso tenha insucesso em pontuar, Brancão não é culpado, pois não esteve no planejamento da equipe e assumiu a equipe no fim da competição em meio a uma crise.

Aguardemos os próximos capítulos.

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