AF ENTREVISTA #04 – Igor Bádio

Igor Bádio, atacante que conquistou o acesso para o Módulo I do Campeonato Mineiro pelo Athletic Club comenta sobre sua carreira e o sucesso do clube São-Joanense.

‘Rei do Acesso’ – o atacante Igor Bádio começou sua carreira profissional no Valeriodoce de Itabira em 2015, se destacou na Segundona do Mineiro de 2017 pelo Valadares/Ponte Nova, foi vice artilheiro da mesma competição em 2018 pelo Athletic, ano que conquistou seu primeiro acesso.

Em 2019 se transferiu para o Coimbra e subiu para a primeira divisão do Campeonato Mineiro. Em 2020 jogou o Módulo I pelo clube de Contagem e retornou ao Athletic para conquistar o acesso para a elite do futebol mineiro, seu terceiro acesso consecutivo.

Confira a entrevista com o matador!

1- Você sempre teve o sonho de ser jogador profissional? Conte um pouco sobre o inicio de sua carreira.

Sim, eu sempre tive o sonho de ser jogador profissional, incentivado pelo meu pai, não chegou a ser um jogador profissional, mas foi um jogador na minha cidade aqui, muito renomado no futebol amador. Meu pai sempre me incentivou desde criança, então esse esse amor pelo futebol, ele vem de berço. Eu sempre sonhei em estar jogando nos melhores estádios e nas melhores equipes. Graças a Deus consegui realizar o sonho de me tornar um jogador profissional.

Comecei jogando na escolinha aqui no no bairro Santa Ruth. Me profissionalizei no Valériodoce, clube que me deu a primeira oportunidade para estar jogando um campeonato profissional. Então eu tenho uma eterna gratidão e admiração por por esse clube.

2- Bádio, quais foram as principais dificuldades que um jogador de futebol de clubes do interior enfrentam?

As principais dificuldades que encontramos é a estrutura: muitas equipes do interior não oferecem nem o mínimo do que é necessário para aquilo que é necessário para a gente mostrar nosso trabalho. Como o Salário, que muitos clubes do interior acabam não conseguindo manter o salário em dia e isso acaba afetando dentro de campo.

3- Você começou sua carreira no Valeriodoce, jogou a Segunda Divisão pelo clube itabirano e não destacou tanto. Mas, no ano de 2017, mais maduro, deixou 9 gols anotados na mesma competição pelo Valadares/Ponte Nova. O que mudou de um ano para outro?

Sou muito grato ao Valério por me dar oportunidade de estar mostrando meu trabalho. Infelizmente eu era muito novo e não conseguia demonstrar totalmente meu potencial e isso acabou dificultando para mim que acabei não tendo muito espaço para jogar. Foi difícil viver os quatro anos sem poder fazer muitos jogos. No ano de 2017 quando sai do Valério e fui para o Ponte Nova, consegui ter uma sequência maior de jogos e estava mais maduro. Fiz 9 gols e fui o vice-artilheiro da competição (Segundona Mineira) e desde então as portas se abriram para mim no futebol mineiro e eu tenho conseguido manter essa média, feito gols por onde estou passando.

4- Em 2018 se transferiu para o Athletic e conquistou seu primeiro acesso na carreira, deixando 10 gols anotados e sendo vice-artilheiro da Segundona Mineira. Como foi a competição aquele ano? Qual foi o diferencial do Athletic para conseguir o acesso?

Após eu jogar a série D do Campeonato Brasileiro pela Caldense, me transferi para o Athletic. Até então, para mim ele era uma incógnita, pois o clube ainda tava chegando ao profissional e apenas conhecia as pessoas que trabalhavam lá. Para mim foi uma surpresa, quando eu cheguei e eu vi a estrutura que a equipe tinha, o planejamento que me foi oferecido. Foi um ano maravilhoso, porque eu consegui fazer dez gols na competição, consegui ter o acesso juntamente com o clube, isso individualmente acrescentou muito na minha carreira.

O Athletic tem um diferencial que por si só ja se fala, tem tradição, centenário. Ficou fora do profissional por muitos anos, mas se estruturou durante esse tempo, se organizou e isso, com certeza, faz total diferença, porque são por pequenos detalhes que às vezes muitos clubes deixam de conquistar o acesso.

5- No ano seguinte, o segundo acesso: dessa vez pelo Coimbra e para o Módulo I do Campeonato Mineiro. A equipe de contagem se destaca por seu forte poder econômico. Ter mais recursos financeiros que as outras equipes é primordial para se conquistar o acesso?

Após a minha passagem pelo Athletic em 2018, surgiu o interesse do Coimbra em me contratar e fizeram a parceria juntamente com o Athletic que me emprestou. Foi um ano muito bom também coletivamente. Individualmente nem tanto, mas o acesso de forma invicta para a primeira divisão ali com o Coimbra ficou marcante pra mim por ter sido campeão. Foi meu primeiro título, eu consegui ajudar com gols, eu consegui entregar ali o meu máximo,  manter uma média boa e isso acabou deixando as portas abertas no Coimbra para mim também.

O Coimbra, é um clube que tem um centro de treinamento invejável, é a nível de time grande. É um clube que tem uma condição financeira muito boa, isso faz diferença sim, se eu falar que não, que não faz, eu estaria mentindo. O clube consegue te entregar o melhor que pode né? Isso acaba facilitando pra gente que é jogador.

Não acredito que seja só isso, que o fator financeiro seja primordial. Eu acredito que juntando a qualidade dos jogadores e a condição financeira do clube, isso acaba ajudando, acaba envolvendo aí algo em torno de uma coisa muito bacana. Eu acredito que isso faz, faz muito de muita diferença na hora de de ser campeão, na hora de conquistar um acesso.

6- No início de 2020 você jogou a primeira divisão pelo Coimbra. E a equipe não só se manteve sem ser rebaixada, bem como empatou com o Atlético e venceu o Cruzeiro no Mineirão. Jogar contra as maiores equipes do estado e tão tradicionais no país é motivador?

Nesse ano de 2020 joguei a primeira divisão pelo Coimbra, para mim também foi uma foi uma oportunidade única, pela primeira vez estar disputando a elite do campeonato mineiro. E a gente não só se manteve na primeira divisão como empatamos com o Atlético, ganhamos do Cruzeiro, fizemos bons jogos. Isso mostrou um pouco de cada jogador.

É muito motivador a gente tá enfrentando essas equipes grandes. Pessoas que a gente tá acostumado a ver apenas pela televisão e de repente tá ali enfrentando eles de de igual para igual. O principal objetivo do clube era se manter na primeira divisão, porque é um clube novo, que tá chegando agora e que ainda não conhecia essa divisão, como ela era. Eu creio que que daqui para a frente o Coimbra, pela sua estrutura e pela sua condição, ele vai estar cada vez mais galgando prateleiras maiores.

7- Com o fim do estadual, se transferiu para o Capital de Brasilia e teve uma rápida passagem por lá. Como foi jogar em um clube de outro estado pela primeira vez?

Sim, acabou o Estadual, recebi o convite para ir para Brasília, para o Capital. Era fase final do campeonato lá, em jogo de mata-mata, foiram apenas dois jogos, a equipe acabou não se classificando. Uma passagem muito rápida, mas para mim também valeu a experiência de ter ido, ter conhecido o futebol de outro estado. Também deixei as portas abertas lá para um futuro, quem sabe.

Pra mim foi muito bom tá indo lá pela primeira vez, né? E espero também que as portas continuem abertas aí por onde eu passar.

8- Retornou ao Athletic para a fase final do estadual. Já na reestreia, vitória por 2×1 contra o Cap Uberlândia. Com sua experiência, você ja enxegou ai que o time iria entrar forte na briga pelo acesso?

Fiquei muito feliz em poder estar retornando para o Athletic, para essa fase final. E mais uma vez consegui ajudar os meus companheiros com gols e a gente conseguiu o nosso maior objetivo, que era conquistar o acesso. Então, sabia que a gente ia vim e ia brigar pelo pelo título, ainda mais com as contratações depois dessa parada ainda, só aumentou o nível da equipe.

Sabiamos também que o acesso é só detalhes. São jogos que não permitem erros. Graças a Deus ocorreu tudo certo e a equipe fez um belíssimo trabalho.

Bádio retornou para deixar gols e ajudar o clube a conquistar o sonhado acesso. (Imagem/Reprodução: Athletic Club)

 

9- No hexagonal final, tiveram um jogo duríssimo contra o Nacional. O Athletic saiu perdendo por 2×0 no primeiro tempo, mas ao fim da partida o clube venceu por 3×2. Se perdessem esse jogo, o clube ficava praticamente sem chances de acesso. Como foi a bronca do Cicinho no vestiário? O que aconteceu de diferente no segundo tempo que vocês viraram a partida?

Esse jogo do Nacional foi um jogo muito atípico. A equipe acabou não fazendo uma partida muito boa no início e o Nacional em duas bolas conseguiu fazer 2×0 no primeiro tempo. Mas a gente sabia que se a gente colocasse a bola no chão, se a gente fizesse aquilo tudo que a gente vinha fazendo, conseguiria fazer os gols.

O Cicinho é um treinador muito culto, um treinador que te dá total liberdade para estar conversando e ele só explicou e passou pra gente o caminho do gol, passou aquilo que tinha que fazer. Voltamos para a partida com mais disposição e conseguimos virar o placar, conseguimos fazer três gols, foi uma vitória importantíssima que nos colocou de volta a briga pelo acesso. Então, essa partida vai ficar na lembrança por muito tempo, pela forma como foi e pela forma como a gente conseguiu a vitória.

10- Vocês entraram na última rodada dependendo apenas do empate para conseguir o acesso. Até que ponto isso tranquilizou o time?

A gente conquistou esse direito de ir para o último jogo com empate. Sabíamos que provavelmente o jogo lá seria difícil, pela equipe do Betim ser uma equipe qualificada e também do mesmo nível que a gente.  Então, a vantagem da probabilidade de dar empate em um jogo desse, ela é muito grande.

Foi muito bom a gente ir com esse resultado debaixo do braço pra poder ir para o empate, porque você não precisa atacar desesperadamente, né? Nós fizemos um jogo seguro, fizemos um jogo cauteloso e graças a Deus foi aí que nós conseguimos o acesso.

11- No jogo do acesso, o árbitro deu 7 minutos de acréscimo no segundo tempo. O coração disparou e o tempo parecia não correr? Como foi a sensação?

É uma sensação única. Você estar ali, há poucos minutos do fim, a poucos minutos de ser coroado com uma bela campanha.  Quando o juiz dá sete minutos ali, a gente fica meio nervoso, a gente fica apreensivo, o tempo não passa, mas aí nessa hora é manter a tranquilidade e não desesperar.

Após o apito final ali foi só emoção.  Coração disparou. A gente fica muito feliz de ver um um trabalho que foi plantado lá atrás, a semente dando o fruto agora, então isso nos enche de orgulho. Foi uma sensação única e muito boa.

12- Para fechar: onde estará o Bádio em 2021? Coimbra, Athletic ou outra equipe?

O Bádio em 2021 ainda é uma incógnita. Graças a Deus tem surgido proposta de várias equipes, mas agora eu vou pedir direção a Deus, ver o que será melhor pra mim. Seja Coimbra, Athletic, ou qualquer outra equipe, eu creio que as coisas darão certo.

Mas eu espero continuar no Athletic, continuar escrevendo a minha história, ajudando o clube a chegar cada vez mais alto no patamar do futebol.

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