AF ENTREVISTA #03 – Augusto Ambrogi Sobrinho

Augusto Ambrogi Sobrinho, treinador do Manthiqueira, clube da Segunda Divisão do Campeonato Paulista, conta ao AlternaFut alguns desafios do futebol fora do grande eixo.

Claro, você que acompanha o Alterna sabe que o futebol vai muito além das Arenas e contratações milionárias. No entanto, caso você esteja chegando agora, a realidade da maioria dos atletas e treinadores é muito diferente. Assim, o treinador Augusto Ambrogi Sobrinho, que já atuou em diversas áreas do futebol e treina atualmente o Manthiqueira, contou pra nós os maiores desafios de seu trabalho.

Confira a entrevista do AlternaFut com o treinador:

1 – Augusto, pra quem não te conhece, como você se apresentaria?

Boa noite, eu sou Augusto Ambrogi Sobrinho, treinador do futebol e já estou nesse meio há 10 anos. No futebol profissional, comecei a carreira no Esporte Clube Taubaté como Gerente de Futebol e fiquei por lá quatro anos. Tenho passagens pelo Operário-MT, Independente de Limeira, Manthiqueira, Velo Clube, Assisense e agora retornei ao Manthiqueira para ser treinador na disputa da Segunda Divisão do Paulistão.

2 – O Manthiqueira tem uma história muito interessante, com conceitos e princípios. Na sua visão, quanto isso influencia no seu trabalho?

A história do Manthiqueira é bem interessante. A nossa cartilha do Fair-Play é bem marcante no clube. Então, a gente tenta, além de jogar um futebol ofensivo, mostrar princípios da vida aos garotos. Ou seja, tentamos mostrar aos atletas que, caso a vida não prossiga no futebol, existem outros bons caminhos. Através dos bons costumes e educação trabalhamos nesse sentido.

No meu trabalho, isso influencia de uma maneira muito positiva. Isso, pois, passo da cota do treinador, devido à nossa preocupação com o cidadão. Isso faz muita diferença na vida dos jogadores, porque mesmo que o jogador não continue no campo da bola, ele vai ter sucesso na sociedade.

3 – Trabalhar em um clube da B traz dificuldades diferentes. Qual a que mais sentiu, até então?

Trabalhar num time de segunda divisão é complexo, com certeza. A gente acaba trabalhando em mais de uma função, somos gerentes de futebol, corremos atrás de certas coisas que num clube maior não precisaríamos nos preocupar. Mas são coisas que a gente “se vira”. Sobre a competição, eu tenho certeza que é uma das mais difíceis do estado, muito pelo número de equipes, pela idade “sub-23”, então isso acaba equilibrando muito o campeonato. Porém, tudo serve de aprendizado, é uma escola pra quem quer ir longe no futebol.

4 – Em meio a um surto pandêmico, qual sua posição sobre a volta do futebol, principalmente pensando nos clubes com menos investimento?

A volta do futebol, acredito eu, aconteceu de maneira precipitada, principalmente quando os estaduais voltaram em julho. Mas, para as equipes menores, existem protocolos difíceis de serem seguidos, alguns necessários e outros exagerados, que passam do ponto. Certos cuidados que nenhuma área segue são impostos aos atletas. É difícil, até pelo baixo investimento da Federação nos clubes. Contudo, estamos fazendo o possível e graças a Deus ainda não tivemos caso de Covid.

5 – Alguns tradicionais clubes estão na B, outros com projetos interessantes procuram subir. Nessas horas, quem leva vantagem, camisa ou projeto?

Difícil dizer, mas projeto é fundamental, camisa não sobe ninguém. A camisa ajuda quando se tem uma torcida forte, como o XV de Jaú, Francana, São José, América de Rio Preto que são equipes tradicionalíssimas no estado. Mas com os estádios fechados isso perde a força, no sentido de apoio e resultado. Então, o projeto é essencial para um campeonato sem problemas financeiras, com pés no chão e sem deixar faltar nada aos garotos.

6 – Como você, como treinador, tenta driblar a falta de investimento e estrutura? Maior apoio da Federação Paulista traria quais vantagens ao trabalho?

A gente tenta driblar com criatividade, conhecimento, contato com amigos para montarmos o time com menos custo e várias outras estratégias de ocasião. Eu trabalho no Manthiqueira e nós temos um centro de treinamento, mas eu sei do privilégio, tanto que sei de histórias na Segunda Divisão em que clubes passam bastante dificuldade mesmo.

É complicado, acho que o investimento poderia ser maior por parte das entidades, mas nós driblamos com uma espécie de “perrengue” e damos o máximo para manter bem o clube, que começou bem o campeonato e espera terminar bem também.

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O Manthiqueira atualmente é o segundo lugar do Grupo F com 9 pontos (3 vitórias e 1 derrota). Hoje (04), enfrenta o Atlético Mogi na abertura do segundo turno da fase de grupos.

 

 

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